6 tendências estratégicas que vão definir as companhias aéreas até 2030

Recordes históricos na aviação brasileira em 2025. O desafio agora é transformar volume em valor com estratégia, tecnologia e precificação escalável.

Mercado
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Abaccus
20.02.2026

O mercado aéreo brasileiro encerrou 2025 consolidando um novo ciclo de crescimento. Dados consolidados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicam que a recuperação iniciada em 2021 não apenas superou os níveis pré-pandemia como estabeleceu recordes históricos de volume, oferta e eficiência operacional. A expansão foi acompanhada por políticas públicas de estímulo à conectividade e fortalecimento da indústria nacional.

A demanda cresceu de forma consistente tanto no mercado doméstico quanto no internacional, enquanto a oferta foi ajustada com maior racionalidade operacional. Ao mesmo tempo, o consumidor passou a pagar menos, em termos reais, pelo transporte aéreo, ampliando o alcance do setor na economia.

Os principais números de 2025 ajudam a dimensionar a magnitude desse movimento:

  • 129,6 milhões de passageiros transportados no total;
  • 101,2 milhões de passageiros no mercado doméstico, superando pela primeira vez a marca de 100 milhões em um único ano;
  • 28,4 milhões de passageiros no mercado internacional, com crescimento superior a 20% em relação a 2019;
  • 159,5 milhões de assentos ofertados, expansão de 7,8% sobre 2024;
  • Taxa de ocupação de 83,6% no doméstico e 85,8% no internacional, as maiores da série histórica;
  • Tarifa média anual de R$ 647,67, com redução real acumulada de 10,9% desde 2022;
  • Mais de 50% das passagens vendidas por menos de R$ 500.

O setor entra em 2026 maior, mais eficiente e mais acessível. No entanto, crescimento de volume e alta ocupação não garantem rentabilidade estrutural. A aviação global historicamente operou com margens comprimidas e frequentemente abaixo do custo de capital. O desafio do próximo ciclo não é apenas expandir demanda, mas transformar escala em criação consistente de valor.

O desafio que se impõe para o próximo ciclo não é crescer mais, mas crescer melhor. Isso significa integrar planejamento comercial e operacional, sofisticar precificação, otimizar ativos escassos e estruturar governança sobre decisões cada vez mais automatizadas.

É nesse contexto que emergem as 7 tendências estratégicas que devem orientar as companhias aéreas até 2030.

1. Planejamento orientado a criação de valor econômico

O relatório The State of Aviation 2025, da McKinsey, deixa claro que a indústria global se recuperou em volume, mas ainda opera sob fragilidade estrutural. Em 2024, 41% das companhias aéreas criaram valor econômico positivo, e o setor como um todo se aproximou do custo de capital. Aproximar-se, porém, não significa superá-lo de forma consistente.

O estudo destaca que o próximo ciclo de performance dependerá menos de crescimento de demanda e mais de melhoria de desempenho interno. Isso implica modernizar o planejamento, integrar decisões comerciais e operacionais e reduzir ineficiências estruturais.

Planejamento moderno precisa considerar simultaneamente:

  • Rentabilidade por rota ajustada a risco.
  • Impacto financeiro de atrasos.
  • Integração entre malha, frota e receita.
  • Simulação de cenários macroeconômicos.

A era do crescimento descoordenado terminou. A disciplina estratégica passa a ser vantagem competitiva.

2. Precificação inteligente com governança estruturada

O mesmo estudo aponta que preço continua sendo o principal fator de decisão para o passageiro, representando 34% da importância relativa na escolha de voo. Isso mantém pressão permanente sobre margens.

Ao mesmo tempo, a análise da McKinsey mostra que companhias que fortalecem suas capacidades internas de execução comercial conseguem capturar mais valor mesmo em ambientes competitivos.

A próxima geração de precificação aérea combina:

Algoritmo sem governança gera volatilidade de margem. Governança sem agilidade reduz competitividade.

Estruturar regras claras para descontos, overbooking, campanhas e reação à concorrência passa a ser elemento central da estratégia financeira.

3. Reavaliação do modelo low cost

A retomada do transporte aéreo foi expressiva em volume, mas não homogênea em qualidade de resultado. Modelos altamente dependentes de tarifa competitiva e ocupação elevada enfrentam hoje um ambiente mais complexo do que no ciclo pré-pandemia.

O cenário atual combina aumento estrutural de custos, maior sensibilidade do consumidor a preço e intensificação da competição em faixas tarifárias básicas. Companhias tradicionais passaram a oferecer produtos mais enxutos, reduzindo a diferenciação clássica entre full service e low cost.

Esse novo ambiente pressiona especialmente modelos que dependem de:

  • Altíssima utilização de aeronaves
  • Estrutura de custo extremamente enxuta
  • Segmento de cliente altamente sensível a preço
  • Crescimento acelerado de malha para diluição de custo fixo

Eficiência operacional continua sendo pré-requisito, mas deixou de ser diferencial suficiente. Sustentabilidade passa a exigir disciplina de capacidade, sofisticação comercial e clareza estratégica sobre proposta de valor.

O desafio não é apenas vender mais assentos. É preservar margem em um contexto onde o volume por si só já não garante retorno consistente.

4. Restrição estrutural de aeronaves e impacto no crescimento

A McKinsey destaca um déficit global estimado de 2.000 aeronaves como resultado da combinação entre demanda crescente e atrasos na produção e manutenção.

Essa restrição impõe limites reais à expansão e exige decisões sofisticadas sobre alocação de frota.

Companhias precisarão priorizar:

  • Rotas com maior retorno sobre capital.
  • Estratégias de utilização máxima de ativos.
  • Gestão de manutenção orientada a disponibilidade.
  • Planejamento de frota baseado em cenários de longo prazo.

Crescer com restrição de ativos exige precisão decisória.

5. Receita ancillary como vetor de geração de valor

A análise também destaca que geração de receita adicional continua sendo uma das alavancas mais consistentes de melhoria de rentabilidade. Em ambientes de tarifa pressionada, ancillary pode representar diferencial relevante de margem.

O estudo sugere que mitos tradicionais sobre varejo aéreo precisam ser superados, especialmente a ideia de que preço é o único determinante de decisão.

Companhias mais avançadas estão investindo em:

Capturar valor exige maturidade em varejo, não apenas capacidade operacional.

6. Confiabilidade operacional como alavanca financeira

O relatório enfatiza que melhoria de confiabilidade pode ser uma das formas mais diretas de elevar retorno financeiro. Cada minuto adicional de atraso gera custo operacional estimado em US$100, além de impactos indiretos em reputação e fidelização.

Em um ambiente onde a indústria opera próxima ao limite de capacidade, pequenas falhas geram efeitos sistêmicos.

Gestão moderna de confiabilidade envolve:

  • Modelos preditivos.
  • Planejamento integrado entre áreas.
  • Uso intensivo de dados operacionais.
  • Decisões rápidas com base em simulação.

Eficiência operacional deixa de ser métrica de qualidade e passa a ser variável crítica de criação de valor.

Crescimento exige arquitetura decisória robusta

O novo ciclo da aviação não será definido apenas por aumento de passageiros. Será definido pela capacidade de reagir rápido.

Em mercados onde concorrentes ajustam tarifas em horas, companhias aéreas não podem depender de ciclos de desenvolvimento que levam dias para alterar uma regra comercial. Quando a lógica de preços está embutida no código do sistema, cada ajuste exige desenvolvimento, testes e implantação. A velocidade de mercado é maior do que a velocidade interna.

Precificação moderna exige:

  • Ajuste em horas, não em dias.
  • Escala para milhares de combinações tarifárias.
  • Autonomia do time comercial.
  • Governança e rastreabilidade das mudanças.

Separar lógica de negócio da aplicação permite que regras sejam administradas por meio de tabelas de decisão, com parâmetros configuráveis e impacto imediato. Um ajuste em um multiplicador, tarifa acessória ou condição promocional se propaga automaticamente, sem necessidade de nova versão de software.

É nesse contexto que a Abaccus se posiciona. A Abaccus oferece uma plataforma de BRMS que permite às companhias aéreas estruturar e orquestrar regras complexas de precificação com agilidade, escala e controle. Em um setor onde margem depende de decisões rápidas e consistentes, arquitetura de regras deixa de ser detalhe técnico e passa a ser fundamento estratégico.

Perguntas Frequentes

1. O crescimento recorde de passageiros em 2025 garante maior rentabilidade para as companhias aéreas?

2. Por que planejamento integrado se tornou mais importante no novo ciclo da aviação?

3. Como a precificação pode ser diferencial competitivo para companhias aéreas?

4. O que significa desacoplar a lógica de preços do código do sistema?

5. Como um BRMS pode apoiar a precificação aérea em larga escala?