Na quinta edição do BRMStalks, Edmee Moreira mostra por que 95% dos projetos de IA falham e como agentes inteligentes só geram valor quando combinam processos bem definidos, regras claras e governança.
Novidades AbaccusTodo mundo fala de inteligência artificial. Pouca gente está realmente usando.
Segundo Edmee Moreira, CEO da Runflow.ai, existe um dado que deveria incomodar qualquer líder: 95% dos projetos de IA generativa estão falhando, segundo um estudo do MIT Project NANDA. E não é porque a tecnologia é ruim. É porque as empresas estão tentando automatizar o caos. O mercado entrou num modo curioso: existe uma empolgação coletiva com IA, mas a maturidade prática ainda é baixa. Muita empresa acredita que colocar um chatbot ou usar o ChatGPT em tarefas pontuais já significa transformação. Só que transformação não acontece com ferramenta. Transformação acontece com processo.
E talvez seja por isso que a visão do Edmee tenha tanto peso. Ele começou a carreira na Porto Seguro, como trainee, e em 2015 tomou a decisão que separa curiosos de construtores: empreender. A primeira empresa não deu certo. A segunda, a LinkAPI, virou uma plataforma de integração e foi adquirida por mais de 100 milhões em 2020. Depois disso, ele mergulhou em outro movimento poderoso: criar comunidade. Hoje, o IFL reúne mais de 40 mil líderes de tecnologia, e foi ouvindo essas pessoas que ele percebeu uma dor emergente: empresas querem agentes, mas não sabem construir agentes.
Foi daí que nasceu a Runflow.ai, uma plataforma criada para automatizar processos reais, com clientes grandes e ganhos concretos. E foi exatamente isso que Edmee trouxe no BRMStalks: uma conversa realista sobre como a IA só gera impacto quando existe clareza operacional, regras definidas e governança forte.
A IA não falha. O que falha é o projeto. O erro clássico das empresas em 2026 é tentar automatizar aquilo que nem foi estruturado ainda.
Se o processo está mal definido, colocar inteligência artificial em cima não resolve, só acelera o desastre. Porque humano operando no improviso já é complexo, mas quando você adiciona IA, que é exponencial por natureza, você multiplica tudo o que já existe.
Se existe clareza, ela multiplica eficiência. Se existe bagunça, ela multiplica caos. No fundo, as empresas estão tentando transformar em automático aquilo que ainda é confuso no manual, e depois se surpreendem quando o resultado vira um problema maior do que antes.
A inteligência artificial está gerando impacto dentro das empresas em dois grandes movimentos. O primeiro é o mais óbvio e, hoje, o mais comum: eficiência operacional. Substituir tarefas repetitivas, reduzir custos, ganhar escala no atendimento, melhorar NPS. Isso já é um ganho enorme e muitas empresas estão começando por aí.
Mas o segundo efeito, que quase ninguém explora de verdade, é o crescimento. Agentes bem implementados não servem apenas para cortar desperdício, eles abrem novas avenidas de receita, aumentam conversão e aceleram a operação comercial. E Edmee fez um contraste que vale ouro: eficiência é bonito, é elegante, é fácil de justificar. Mas crescimento é transformador. Porque no fim do dia, empresas não existem para rodar mais barato, elas existem para expandir.
Edmee contou o caso de uma concessionária com 15 lojas e 9 marcas. O atendimento era centralizado em 10 pessoas que precisavam responder sobre tudo: carro, financiamento, troca, catálogo técnico.
O resultado? Experiência fragmentada.
O cliente repetia tudo várias vezes. O vendedor da ponta não tinha histórico. Era aquela sensação clássica: empresa grande, experiência pequena.
O que a Runflow fez? Implementou agentes especialistas por modelo de carro. Agentes integrados com:
Quando o cliente chegava na loja, o vendedor recebia no WhatsApp todo o contexto. Atendimento fluido.
Resultado prático: A conversão de visitas subiu de 15% para 25%. Isso é IA de verdade: processo, dados, regra e execução.
Agentes não podem decidir sozinhos. Edmee reforçou que inteligência artificial sem limites claros vira um risco, não uma vantagem. IA precisa de guardrails, precisa de regras bem definidas e precisa, acima de tudo, de governança. Porque quando a empresa entrega decisões críticas para sistemas que não têm direção, o que parecia inovação vira improviso em escala.
E aí entra um ponto essencial que muita gente ainda ignora: agentes orquestram, mas regras sustentam. As regras do negócio não podem estar escondidas em código, perdidas em planilhas ou presas em dependências externas que ninguém controla. Elas precisam ser acessíveis, versionadas e comandadas pela área de negócio, com clareza e responsabilidade. Processos e regras precisam estar definidos antes da IA entrar. Caso contrário, você não está automatizando decisões, você está automatizando confusão.
A pergunta final do BRMStalks foi simples, mas decisiva: por onde começar? E a resposta veio quase como um tapa elegante, daqueles que colocam qualquer líder no lugar. Comece pela maturidade do seu time. Porque se a liderança não entende IA, vai escolher o processo errado, a ferramenta errada e o caso errado. E aí a chance de desperdício explode. Não é sobre tecnologia primeiro, é sobre preparo primeiro.
O primeiro passo, segundo ele, é capacitação. É criar repertório interno antes de sair comprando solução como quem compra promessa. Depois disso, o caminho é mapear processos mais simples, com ganhos rápidos e impacto claro, para que a empresa aprenda fazendo e construa maturidade progressiva. IA não escala no impulso. Ela escala no método.
IA não é mágica, é engenharia de decisão. Agentes inteligentes só geram resultado quando operam sobre processos bem definidos, dados organizados e regras bem governadas. Caso contrário, você não está construindo automação, está só colocando velocidade em cima de algo que ainda não tem direção.
E é exatamente aqui que ferramentas como um BRMS entram como camada estratégica. Elas permitem que empresas centralizem políticas, automatizem decisões críticas e mantenham controle sobre aquilo que realmente move o negócio. No fim, IA orquestra, pessoas definem a direção, e um BRMS garante que as decisões não virem improviso. O futuro pertence às empresas que conseguem unir agentes rápidos com regras claras.